domingo, 10 de abril de 2011

Não sopramos as 18 velas juntos (...)

as dezoito velas de alegria e tristeza
     Não sei do que tenho saudade ao certo, talvez de tudo o que vivi quando ainda estavas presente, se a minha infância, se o facto de ser uma pessoa ingénua e acreditar que todas as pessoas tinham boas intenções. Porém, a realidade não é um mundo de cor rosa, conforme idealizámos quando somos pequenos.
       Ao longo deste tempo fui crescendo, sim e sem ti. Tenho-me deparado com muitas adversidades na vida, mas penso em ti e ganho subitamente coragem e força para lutar por mim e por um futuro benévolo para mim.
       Por vezes, há momentos que a emoção fala mais alto do que a voz do coração e aí nesses instantes, sinto a face molhada, as lágrimas correm ferozmente como a força impetuosa de um rio, coloco as minhas mãos pequenas e brancas sob as maças do meu rosto, levanto-me e os lençóis caem redondamente no chão em seguida tomo a direcção do espelho bem iluminado. E observo momentaneamente a minha imagem, apenas vejo as sombras da minha alma delineadas com manchas. Volto a deitar-me. Nada muda. Tu não estás aqui. Não é um sonho, muito pelo contrário é um pesadelo, e o pior da minha vida. Costuma-se dizer que só “damos valor as pessoas quando as perdemos”, contraditoriamente sempre te dei valor embora que não manifesta-se muito, talvez porque era pequena, mas era a ti que eu entregava os presentes feitos na escola primária, posso não ter pronunciado nunca a palavra pai, mas tu sabes que foste tu que me ensinaste os princípios morais e tudo o que sou a ti te devo, meu eterno padrinho.
       Sabes, hoje teoricamente deixei de ser uma menina, designam-me de “Grande Mulher” por ter complementado dezoito aninhos. Sabes, eu não me sinto com essa idade, há uma parte de mim que sim, pelo facto de querer ser independente e através da idade e da minha ambição pelo futuro, pode valer a pena essa maior aproximação... Mas outra parte, rejeita essa concepção da realidade, pois queria fazer uma viagem ao meu passado, sobretudo aos tempos que fui parcialmente feliz, tinha-te do meu lado e isso era fulcral.
      Hoje, vivo numa plena ilusão. Já não volto a comer a maçã cortada carinhosamente por ti, já não vou ter as tuas mãos cabritas a puxar-me as mangas do robe azul e quentinho, para que não me sujasse ao comer aquelas torradas de pão fofo e saborosas feitas numa chapa no fogão e barradas com manteiga tradicional, já não vou poder correr atrás do Snoopy e passeá-lo nos passeios e nos verdes junto à “nossa moradia”, já não vou escutar as palavras fingidamente irritadas e pronunciadas pelos teus lábios quando as minhas amigas pareciam tocar constantemente no som irritante da campainha para que fora brincar com elas no pátio, já não vais ouvir as melodias cantadas por mim em todas as divisões da casa, já não vais dar aqueles pontapés sob as minhas casinhas da barbie, pois, porque eu adorava brincar sozinha no chão da tua sala e idealizar projectos para as bonecas, quiçá me centrava nessa personagem infantil para que um dia fosse ela mesmo, fosse uma mulher respeitada, um casamento feliz, reconhecida a nível profissional, entre outros aspectos. E lembraste quando me dava aquelas súbitas “pancadas” de dançar loucamente na sala das mobílias claras e bem iluminada, recordaste-te de me observar através do corredor? O engraçado é que depois aparecias repentinamente e dançavas (mesmo não te podendo movimentar muito bem., até que te firmaste num dia ao sofá e caíste... ai, rimos tanto que até a barriga doía.
      Sabes, hoje digamos que não fui esquecida, recebi cerca de 140 comentários na página do facebook a desejar-me os parabéns e mensagens no telemóvel que até me perdi na contagem. Porém, apesar de ter sido lembrada por todos ou quase todos, só para ai cerca de seis pessoas é que era importantíssimo o seus votos de felicidade neste dia aparentemente especial, mas do meu ponto vista, banal… ainda assim, marca um novo período na minha vida de mais responsabilidade e de mais ambição. Mas, meu anjinho da guarda… faltava as tuas ternas palavras e o calor dos teus abraços. Posso até não estar constantemente a pensar em ti, mas não significa que me habituei à tua crucial partida, pois, tu sabes que és uma marca eterna tatuada no meu peito e se hoje eu sorrio é por ti, se hoje os meus olhos ainda têm algum brilho é por viver das nossas memórias e agarrá-las firmemente no meu interior e lutar, lutar, lutar, por mim… Já que não posso contar com quase ninguém.
       E hoje, estou melancólica, passei um dia espectacular mas a noite não correu como previa por motivos imperdoáveis, talvez devido a isso, acentuo a tua lembrança e a realçou a tua ausência que eu tanto me queria abstrair. Estive rodeada de palavras simpáticas e outras bem sinceras que eu sei, mas senti-me sozinha num meio da multidão que me desejou um feliz aniversário.
       Esta madrugada vai custar a passar…será mais uma noite em que a almofada deve ficar inundada com os desabafos do meu peito, mas eu sei…que por mais longa que seja, o dia voltará a nascer. Despeço-me ouvindo a tua voz imaginária sussurrando ao meu ouvido: Laura, luta por ti e por favor vence na vida. Faz calar todos aqueles que disseram que não eras capaz. Faz isso….É a tua missão. (sabes que ela é a razão da minha existência, por isso, quero cumpri-la e conto com o teu apoio, meu protector).
Isto só para te dizer que era o teu beijo e o teu desejo de parabéns que queria ouvir, era a tua presença que eu necessitava….
      Mas tu não estás aqui, ainda assim vives numa recordação eterna dentro de mim. Tantos momentos felizes residem com nostalgia na minha memória e estão gravados no coração. Não sopramos as dezoito velas juntos, porém sei que estiveste aí de cima a olhar por mim e a proteger-me.
      Hoje e sempre és a minha maior dor mas também a minha maior força.

11 comentários:

DanielaFilipa disse...

muitos parabééns *.*

jo disse...

és linda, por dentro e por fora, e isso reflecte-se inteiramente naquilo que escreves.

jo disse...

Tenho sempre de agradecer-te pelas palavras que me dás que são sempre certeiras.
No entanto, o arrependimento é inevitável. Arrependo-me porque tenho mesmo de arrepender-me devido a todas as circunstâncias. Foi realmente um erro toda aquela história. Se repetia o erro ? Talvez repetisse, mas de outra maneira.


beijinho minha querida <3

mary b disse...

sigo!
parabéns *.*

Isabel disse...

Obrigada pelas tuas palavras sinceras Laura (:
Quanto ao teu texto, creio que és e serás sempre uma Grande Mulher, que ainda tem imenso para dar e mostrar. Todos os momentos bons e menos bons que tens passado, só te tornarão mais forte e capaz de lutar pela tua felicidade. És uma pessoa com uma energia fantástica, e isso só te fará vencer *
Um enorme beijinho.

Isabel disse...

Fantástico, escreves mesmo bem!
Gosto e sigo!

Anônimo disse...

À tanto que te conheço e é a 1ºvez que me dirijo a ti, pelo teu blog, sabes, nem sempre leio os teus textos, porque todos eles são bastante profundos e inevitávelmente cada vez que leio algum texto acabo sempre a chorar.
Já ambas perdemos alguém muito especial, lamento por não ter estado a teu lado quando o teu padrinho partiu, mas nessa altura ainda mal nos conheciamos, mas tu sim estives-te lá quando necessitei, faz dia 13 de Maio um ano que o meu avô partiu e também sinto bastante a falta dele, mas sei que tanto ele como o teu padrinho estão lá em cima a olhar por nós e tenho a certeza que têm bastante orgulho em nós, o que quer dizer que devemos continuar assim, batalhar para conseguirmos chegar a ser alguém e continuar a fazer com que eles cada vez se orgulhem mais de nós.


Um enorme beijo, sabes bem aquilo que significas Laura <3

Selma :)

Anônimo disse...

Tal como tu referiste quando te dei os parabéns "é nestes momentos que vemos quem realmente é importante", e apesar de não demonstrarmos um ao outro aquela forte amizade que tinhamos à uns anos atras, mas podes bem querer que cá dentro continuas a ser uma amiga muito especial. =)

Anônimo disse...

Esqueci-me de dizer que era o Valadas =P

andreia martins. disse...

sigo *.*
http://segredosvindosdoinfinito.blogspot.com *

Cris disse...

não tens aqui o link para te seguir.. :o